O QUE DISSE A CRÍTICA

 

“Paula Giannini com seu timming perfeito e carisma diverte a plateia” – Revista Veja SP – Dirceu Alvez

 

Guerra dos Sexos temperada por hormônios

Vanessa Martins de Souza (Festival de Teatro de Curitiba)

Logo nas primeiras cenas de Casal TPM, da Palco Produções, de Curitiba, me dou conta do porquê essa comédia de costumes vem fazendo tanto sucesso de público no Festival, reproduzindo a mesma repercussão que obteve em sua estreia no Rio de Janeiro. Casal TPM é um verdadeiro espelho para nossas relações com o sexo oposto. É ultra-contemporânea.

Assisti-la pode ser mais eficaz em nos fazer assumir nossa ridicularidade no cotidiano amoroso que anos de psicoterapia. E se os psicanalistas estão certos, mesmo, quando dizem que, ao começarmos a rir de nossas neuroses estamos no caminho da cura, eis, então, o início dela com Casal TPM!

Numa época em que nossas relações amorosas, cada vez mais falidas, têm sido discutidas à exaustão pela mídia e pelos livros de auto-ajuda, a temática abordada é vista como o papo da hora. Está na moda falar da relação homem-mulher. Das diferenças irreconciliáveis que distinguem os sexos. E tudo com o aval da ciência, que com seu determinismo biológico empenha-se, a cada dia, em fazer cair por terra anos de discurso feminista em defesa da igualdade entre os sexos. A mídia tem sido pródiga em divulgar notícias de estudos científicos sobre as diferenças hormonais que norteiam o comportamento de machos e fêmeas. A peça, enfim, é muito pop. Tanto que já conta com blog(www.casaltpm.blogspot.com) e comunidade no Orkut – “Casal TPM”- para divulgação, discussão e troca de experiências.

Bem, voltando ao nosso Casal TPM, este é um casal (identificado por “Ele” e Ela”) que dispensa apresentações. É a cara da classe média. “Ele” a-do-ra futebol, de-tes-ta a sogra, nunca sabe onde guarda seus mais preciosos pertences, acha que teatro é coisa de boiola e depois que casou, aprendeu a roncar e a criar barriga. “Ela” também é típica: supervaidosa, ciumentíssima (paranoica, até), dengosa, chantagista emocional, adepta da famosa D.R. (discutir a relação) e sofre de uma TPM …da braba! “Huumm… tudo muito clichê…” – torceriam o nariz, os críticos mais exigentes? Sim, é tudo muito clichê.

Evidentemente. Mas fazer o quê? Se casais entediados não costumam ser criativos, mesmo… Na verdade, o texto de Paula Gianini (que também contracena com seu marido, o ator Amauri Ernani) quer é isso: jogar luz por sobre os lugares-comuns do dia-a-dia dos casais. Mas tudo sob uma perspectiva tragicômica, claro . Aí é que está a graça. Os diálogos e cenas nos trazem aquelas situações comezinhas, repetitivas (e hilárias) na rotina dos casais, mas que torram tanto nosso saco, que chegam a virar motivo para divórcio. É o vício dele pelo futebol aos domingos, as crises de ciúme dela, os bate-bocas sem propósito, as infantilidades, a luta pela preservação do romantismo e de uma vida sexual plena…

Amauri Ernani está ótimo, desenvolto, adorável, como um g Eleh cínico, provocador e auto suficiente. Aliás, do início ao fim, percebe-se que esta é uma visão bem-humorada da supremacia do macho sobre a fêmea, na interminável guerra dos sexos. Terminada a apresentação, consolo-me, porém, ao descobrir que o próximo round pode estar próximo. Ouço Paula Gianini comentar, no hall, com uma das espectadoras (provavelmente, insatisfeita com a vitória dos machos, como eu): Na próxima, vou escrever a versão para as mulheres. Aguardemos, então.

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Um texto que trata com criatividade o cotidiano

O qual diversas pessoas da plateia se identificam ou mesmo lembram parentes e conhecidos que vivem situações parecidas.

Paula Giannini (também autora do texto) interpreta ¨Ela¨. Amauri Ernani, seu marido na vida real, é ¨Ele¨. O nome já é um indício que o texto pode contar histórias muito parecidas com a de qualquer indivíduo presente na sala de espetáculos.

Os atores estabelecem um excelente jogo de diálogos e movimentações no palco; certamente a vida em comum fora dos palcos os ajuda a estabelecer uma relação mais intensa e convincente na peça.

O cenário caracteriza a mudança das cenas e os atores trocam pequenos detalhes dos figurinos, os quais se encontram dependurados em cabides, e se movimentam …

Os figurinos são funcionais e contribuem para o dinamismo da montagem, pois são práticos e caracterizam com competência as situações vividas pelos personagens.

A luz ora transmite um clima romântico, ora realça o stress das discussões do casal.

A trilha, primorosa, é formada por temas de amor.

A direção aproveitou o talento dos atores para a comédia e explorou gestos e expressões exagerados.

Paula Giannini e Amauri Ernani dividem as suas atividades profissionais entre Curitiba e Rio de Janeiro, alternando a realização de comédias e projetos em que a pesquisa folclórica é o que impulsiona a elaboração das montagens. São atores, diretores, produtores e administram o Teatro Cultura, localizado no centro histórico da capital paranaense e que se destaca na cena teatral curitibana.

Nanda Rovere

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